O QUE DEUS ENSINA AOS PAIS – III

O QUE DEUS ENSINA AOS PAIS – III

Falaremos, agora, e por último, do polêmico assunto ‘’palmada’’, hoje tabu.

05 – Diz o texto sagrado: ‘’Não deixe de corrigir a criança; umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-lo da morte’’ – Provérbios 23:13,14 e ‘’E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor’’. Efésios 6:4.

No conhecido 4º Mandamento (Honrarás o teu pai e tua mãe …) percebe-se que Deus orienta filhos, alunos, empregados e comandados à obediência das leis e normas, o que por sinal é muito bom, porque tranquiliza o comandado. Por outro lado, na atualidade, e parece-nos na contramão da ideia de autoridade, são oferecidos para as crianças e pequenos aprendizes todos e os mais variados direitos, condensados no Estatuto da Criança e do Adolescente, sendo que neste regramento os deveres são difíceis encontrar, raras são as descrições das penalidades pelo descumprimento de suas obrigações, muito menos o que lhes é proibido.

Para tentar equilibrar o direito das autoridades sobre os seus liderados e as recentes disposições dos extensos direitos da criança e do adolescente, eis que então surge uma alternativa ao embate. Os dois versículos, na introdução deste parágrafo, e mesmo podendo se assemelhar a mandamentos, trazem orientações às instâncias superiores na forma em como lidar nas questões do ensino da obediência dos liderados e também para o cuidado ao excesso de rigor no cumprimento de uma norma ou do senso comum estabelecido, com vistas ao equilíbrio das relações entre ensinador e aprendiz. Os dois versos entendemos que estão combinados e harmoniosos, quando um traz um direito e o outro um dever para o educador, pois é dele que se exigirá a boa formação do aprendente. Como interpretá-lo à luz da educação e do fundamento cristão?

Sem defender a palmada e a violência contra pessoas incapazes de se defender, contudo sabendo do dever e a obrigatoriedade de ensinar para a obediência das regras e do cumprimento aos limites estabelecidos, antes que o Estado o faça através dos órgãos policiais, nalgumas vezes é o último recurso a ser adotado, uma clara orientação bíblica. Contudo, quando existir um bom ambiente familiar e em condições normais da educação familiar, basta um olhar um pouco mais severo ou o levantar de voz, que os filhos obedecem. A correção pela palmada e pelo que se depreende do versículo, e repetindo, é o último recurso, pois se os pais trouxeram à vida aos filhos, também são responsáveis em livrá-los da morte ou do eminente perigo. Morte se entende, além dela propriamente dita, também as pré-mortes, que são os problemas graves onde filhos, subordinados, empregados, liderados estão envolvidos ou foram envolvidos, cuja gravidade a liderança deve procurar livrá-los deles.

O segundo versículo completa o argumento do primeiro, porque quando a penalidade é mal aplicada ou injusta, pode causar revolta nos filhos. Martinho Lutero traz uma singela citação que, em poucas palavras, sintetiza a compreensão do que aqui apresentamos. Disse ele que ao lado da vara, deve existir a maçã: junto da repreensão deve haver o carinho e o entendimento do caso pelo educador, o perfeito equilíbrio entre o ensino para que aconteça aprendizagem, bem como para resgatar e levantar a moral daquele que foi repreendido.

A aplicação da penalidade ao transgressor deve ser ensinada, desde uma simples proibição de ver televisão quanto uma mais grave, especialmente no processo de aprendizagem nos primeiros anos de vida, para que, quando adulto, possa administrar responsavelmente as repercussões de seus erros, e desta vez sozinho. Este assunto também é bem trabalhado por Yves de La Taille (*).

Uma transgressão pode acontecer por alguns motivos:

– pode acontecer sem a intenção que o fato acontecesse (quebrar um copo);

– por desconhecimento do que é proibido;

– pela circunstância própria do aprendiz, que é tenro e jovem na aprendizagem, desatento para as causas, quanto para as consequências. E quem, um dia, não foi adolescente!

– pelas dificuldades internas existentes no jovem transgressor em sua saúde física, mental e emocional que, sequer conhecendo-se a si mesmo e pelos desafios que enfrenta, deixa de conseguir se controlar, transgredindo as regras combinadas pela simples ausência de ter condições de compreendê-las;

– para chamar atenção, especialmente porque lhe falta o carinho e amor, razão pela qual busca na transgressão a atenção que tanto necessita. Veja que a recompensa do homicida são as muitas reportagens veiculadas na mídia;

– perversa ou malandramente, e de forma intencional, por saber que deixa de haver penalidades pelo erro que se comete (e milhares são as leis brasileiras neste sentido); e, por final,

– existe aquela ainda outra, imanente, melhor conhecida por ‘’aluno arteiro’’ que, sem que seja de má índole, realiza as suas transgressões desorganizando o status quo estabelecido, podendo ser uma manifestação de uma personalidade singular, especial, que quer se des-cobrir. Para aflorar, o sábio educador deverá saber deixar de sufocá-la. Einstein e Steve Jobs são os exemplos mais conhecidos.

Por importante, sempre deverá haver o comentário do educador sobre a transgressão realizada, admoestando e doutrinando segundo a orientação bíblica, podendo ser acompanhada de penalidade ou não. Contudo, ao ser aplicada a penalidade, que se observe a preservação dos seus objetivos, e que são muitíssimos nobres, ensinando aquele que aprende da importância da liberdade dentro dos limites estreitos da vida, bem como para reforçando o amor àquele que é educado, pois somente corrige aquele que ama.

 

                Finalizando.

Neste, e também nos dois artigos anteriores, trouxemos apenas cinco questões que estão sendo interpretadas e tratadas diferentemente do que foram concebidas, e por causa disto, entendemos que muito auxiliaram a educação brasileira a se encontrar no atual estado onde atualmente se encontra, com sofríveis resultados.

Que, a partir destas singelas contribuições e a aproveitando as boas condições atuais, que brevemente nos consigamos enfrentar, desta vez causando polêmicas, brigas e até quebra-quebras sobre os motivos pelos quais os nossos alunos, por décimos, deixaram de superar os alunos chineses. E que Deus nos ajude!

 

Luiz Pfluck, diretor e professor.

 

(*) Taille, Yves de La. Limites: três dimensões educacionais. São Paulo : Ática, 2002.

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