O combate ao que nos mata

O combate ao que nos mata

Neste último sábado, 15.02, realizou-se na FIERGS a formatura dos acadêmicos do Curso de Administração da São Marcos, daqui de Alvorada, com aquela alegria peculiar e perfeitamente compreensível dos alunos, e a satisfação de todos ali presentes. Formatura é sempre alegria, em qualquer lugar onde aconteça.

Contudo, duas semanas antes, aconteceu também uma outra formatura de um curso superior, aqui no Rio Grande do Sul onde, logicamente, a alegria esteve presente, porém acompanhada de uma correspondente frustração. Um aluno, e porque é difícil controlar as expressões ou declarações quando de posse de um microfone ou na ribalta, especialmente quando intencionalmente planejadas, realizou performances sensuais, provocativamente eróticas em um ambiente sério solene e acadêmico, quando naquele imediato momento foi condenado por muitos, e aplaudidos por tantos outros. Dia seguinte e até hoje, as manifestações ainda acontecem, mas estão recrudescendo, concordando, outros discordando, mas não podemos deixar passar ao esquecimento pelo escândalo acontecido,  pois é possível muito aprender.

Que se pode depreender disso? Como se interpreta um fato desses?

Antes de continuar, e por dever de oficio, nos manifestamos dizendo que desaprovamos o ato cometido, bem como envidamos os esforços possíveis para deixar que aconteça em nossa circunscrição.

O que primeiramente se apresenta, e percebemos bem claramente, é que a educação, na atualidade, e genericamente, tomou um viés diferente do que fora concebido, de dar continuidade a formação do cidadão, bem como prepara-lo ao mercado de trabalho. Educação hoje parece-nos ser um tudo, um mix, um englobado de conceitos, um repositório de movimentos, um saco de recebimento de todas as críticas, pancadas, questionamento de conselheiros tutelares (de um diretor ouvimos que a educação está virando caso de polícia), de tendências e experiências educacionais (uma delas, por exemplo, é a promoção automática sem que o aluno tenha condições, vê se pode!), sendo que, e o que aconteceu nesta formatura, foi tão somente o retrato desta realidade. Hoje, se em educação se pode tudo, e para abraçar todos, também haverá de tudo nela acontecer, e se acontece na educação pública, impacta diretamente na da iniciativa privada, razão deste desabafo. E se é tudo, ao mesmo tempo também se é nada, quando a consequência desta causa são os últimos lugares que o Brasil alcança em testes de aferição da qualidade educacional. Por que se escandalizar?

Por outro, nada é bom, nada é ruim. Se por um lado foi chocante ver um espetáculo deste, de uma manifestação tipicamente animal, como se o performancista estivesse no cio dentro de um ambiente onde o conhecimento deveria ser a máxima preocupação, por outro foi  bom ter acontecido, pois a geração dos milhares de comentários, tanto de aprovação quanto de desaprovação, fez des-cobrir vergonhosamente o que acontece naquele ambiente educacional público brasileiro, bem como a desimportância geral ao que lá se realiza, pois esquecida, longe dos olhos de todos, finalmente a animalidade reinante foi exposta a luz. Um dia o porco falaria aos homens, profetizava Orwell.

Pretender responsabilizar ou apontar o dedo para quem realiza algo errado num ambiente público, é lavar as mãos como Pilatos. Se existem aspectos errados, é porque cada um de nós se permitiu que se deixasse acontecer, elegendo políticos corruptos e corrompidos, sempre aqueles os mesmos, eternos sustentadores de situações como desta que falamos, que maculou a educação. Mas isso vai mudar, ah, vai!

E, por último, sabe-se que na maioria das instituições públicas estudam as melhores cabeças pensantes brasileiras, e que conduzem os destinos da nação. Isto quer dizer, também, que se existe um movimento liberalizante para todos e para tudo no meio educacional público brasileiro, também pode ser que a elite brasileira, permissiva, possa estar aplaudindo. Me diga com que andas, e direi que tu es.

Mas nem tudo está perdido. Com a internet, hoje livre, que possibilitou a criação das redes sociais, iniciou-se a dar os primeiros passos de uma resposta aos desatinos existentes na sociedade brasileira, vindo a recuperar os valores mais caros de nosso pais, especialmente os judaico-cristãos, da conservação dos bons costumes, onde a São Marcos humildemente se permite estar incluída.

Por isso, nestes novos tempos (algum tempo atrás não seria possível publicar esta argumentação) se há crise, ela é bem-vinda, pois assim melhor saberemos o que nos mata, pois podemos ir ao combate.

Que continuemos, pois, no enfrentamento!

 

Luiz Pfluck, professor e diretor

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