O bote da cobra e a tragédia de Suzano

O bote da cobra e a tragédia de Suzano

O bote da cobra e a tragédia de Suzano

O assassinato de alunos e funcionários da Escola Estadual Raul Brasil, em São Paulo, nesta semana, consternou a todos, bem como trouxe protestos de repúdio ante à barbárie cometida, do qual pactuamos dos mesmos sentimentos. E porque aconteceu dentro de um ambiente educacional, o dever nos chama para ajudar a encontrar soluções para deixar que novamente aconteça onde quer que seja. Como resolver ou antever situações semelhantes a Suzano?

É necessário lembrar que qualquer organismo social existente no Brasil, podendo ser uma loja, uma fábrica, um ambiente familiar, com exceção de bancos e de locais de rígido controle, jamais poderá barrar uma mortandade premeditada, porque é impraticável financeiramente cercar, gradear e policiar diuturnamente estes espaços. E desejando diferente, mas esta situação infelizmente tende a se repetir e com mais frequência, porque quando se dá ampla publicidade ao fato, o antegozo ao bandido do futuro crime se multiplica, porque saber-se-á recompensado, eis que finalmente alguém ouviu suas discordâncias represadas (que estão significadas na grande publicidade da tragédia), especialmente quando for praticada nas instituições de ensino, pelo maior número de pessoas indefesas atingidas. Por outro, somente pessoas desequilibradas, mal e mau formadas e mal amadas praticam ações propositadamente erradas, não há como negar.

Este é um quadro complexo e difícil, mas que é possível de ser contornado. Contudo, e para iniciar a resolvê-lo, entendemos que a política a ser adotada passa a ser a da pró-atividade, e a experiência de vários anos no ambiente da Escola e Faculdade São Marcos, já ofereceu provas que realmente este é o caminho. Se a Instituição São Marcos deixasse de preventiva e imediatamente abordar situações semelhantes em seu passado, tanto interna como externamente aos seus limites físicos, certamente oferecia situações escandalosas como essas nas mídias sociais, ao passo que os alunos que apresentaram os desafios e pelo tratamento recebido pela Instituição, hoje são pessoas felizes no meio onde se encontram. Então, como agimos proativamente? Isto quer dizer também que ‘’ jamais um fato semelhante acontecerá na São Marcos’’: essa é uma informação errada ou que sempre acertamos. Agora que possa deixar de acontecer, isto é uma verdade.

Matar ou assassinar não significa necessariamente e somente o ato propriamente dito, é sempre necessário reforçar o conceito. Martinho Lutero, esclarecendo o 5º Mandamento ‘’Devemos temer e amar a Deus’’ esclareceu que que causar dano ou mal algum ao nosso próximo em seu corpo, ou deixar de ajudá-lo e favorecê-lo em todas as necessidades corporais, também subentende cometer diariamente pequenas mortes, isto é inegável. Sempre pensamos e agimos pro-ativamente a partir do conceito deste mandamento, além da prática dos valores cristãos da Justiça/Levítico 19:15, do Serviço/João 13:5, do Trabalho/Salmo 128:2, do Amor/1º Cor. 13.4-7 e das Moral e Bons Costumes/Gál. 5:19.

Outra ação que desenvolvemos está concentrada na expressão ‘’não premiar o premiado’’. Quem não gosta de ser paparicado? O professor também adora, porque são os melhores alunos que, por suas perguntas e desafios, o faz sentir-se recompensado pelo retorno recebido do que acredita. Contudo, o maior desafio a ser ultrapassado na prevenção das situações semelhantes a de Suzano é, e deixando mais de lado os alunos queridos, agir para encontrar aquele aluno que está além do padrão desejado de ‘’bom aluno’’, e que são de dois tipos, com o objetivo de recuperá-lo.

Observe que o aluno se encontra no mínimo 04 horas por dia dentro do ambiente educacional, e que é sua segunda família: neste grande espaço de tempo é possível fazer milagres! Assim, aquele aluno que incomoda pelas suas atitudes mal educadas, talvez não seja o caso mais difícil, já que externa suas discordâncias, desabafando suas contrariedades e acalmando o seu ser.

Este caso é mais conhecido pela ‘’a lebre saiu da toca’’: se se manifestou erradamente, é possível abordar o caso, porque tornou-se público. Por importante, o cuidado maior é com aquele que, quieto, talvez no fundo da sala, sem interagir ou timidamente fazendo, possa estar sofrendo bullying ou ainda desprezado e ignorado do contexto da sala de aula e do ambiente educacional. Algum dia, porque sempre esteve sozinho e sofrendo, irá à desforra. Em Suzano, a cobra silenciosamente deu o bote.

Assim considerado, deixar de oferecer maior atenção aos bons alunos, porque já são abençoados por terem uma família, condições intelectuais e saúde, abordando aqueles que necessitam de apoio, pois são justamente estes que praticam os maiores crimes, bem como trazendo-os à vida, é o desafio de qualquer instituição de ensino, podendo ser escola, como também em qualquer instituição de ensino superior. Repetir Suzano no Brasil, se assim agirmos, será raríssimo.

 

Luiz Pfluck – Professor e Diretor

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